
Essa xícara vem para matar a sede daqueles que adoram a sétima arte. Já faz algum tempo desde o último post sobre cinema portanto está mais do que na hora de darmos continuidade ao assunto. Resolvi escrever a respeito de um filme que acabo de assistir.
'O Leitor' é mais um longa metragem que tem seu enredo extraído de um livro. Desta vez o autor da obra é um professor de direito e juiz alemão chamado
Bernhard Schlink. Com primeira edição publicada em 1995,
'O leitor' foi um livro muito bem recebido pela crítica e ganhou diversos prêmios no mundo da literatura. Segundo a
wikipédia americana, o livro de
Schlink é a obra literária alemã mais traduzida em todo o mundo. Já foram 37 línguas desde a primeira edição.
A versão cinematográfica foi lançada em 2008 com direção de
Sthepehn Daldry, o mesmo do premiado 'As horas'. O ótimo enredo criado por Schlink aliado à belíssima direção de Sthepen fazem de
'O leitor' um filme digno das indicações que recebeu ao Oscar.
Já Kate Winslet foi magnífica em sua atuação e levou uma estatueta para casa.
Pela quantidade de adjetivos no parágrafo anterior e das indicações e prêmios que recebeu, pode-se dizer que
'O leitor' é um filme e tanto! Com ritmo muito bem trabalhado, fato que afastou a monotonia das cenas de tribunal, o longa metragem conta a história do jovem estudante Michael Berg, que aos 15 anos de idade passa mal ao voltar da escola e é socorrido por Hanna (Kate Winslet). Depois de três meses em tratamento, Michael cura-se da doença e resolve voltar à casa da nobre madame para agradecê-la. A partir daí Hanna e Michael vivem um romance que, apesar da brevidade, deixou marcas definitivas no coração de ambos.

O que mais me chamou a atenção no filme foi o desfecho. Não é surpreendente, mas é bem significativo. Hanna passou a vida a esconder seu analfabetismo. Para essa alemã ex-operária do holocausto, a maior vergonha de sua vida é não saber ler e escrever. A história nos dá diversas pistas desse comportamento desde o início do romance de Michael e Hanna, mas só podemos ter certeza disso ao testemunharmos perplexos a atitude que ela adota quando de fronte à um bloco de papel e uma caneta. Hanna trabalhava como soldado nos campos de concentração. Em seu julgamento alguns relatórios das forças nazistas são apresentados como provas dos homicídios praticados durante o holocausto. No fervor das acusações, o juiz pede para que Hanna escreva alguma coisa no bloco a fim de fornecer material ao especialista encarregado de averiguar a igualdade na forma das letras dos relatórios com as anotações produzidas no referido bloco de papel. O peso da vergonha representada pelo analfabetismo se mostra muito maior do que o trabalho como soldado nazista. Hanna confessa o crime sem produzir a prova solicitada pelo juiz e é condenada a prisão perpétua.

Apesar de não saber ler Hanna adora histórias. Michael lia diversos livros depois das tardes de amor ardente. Quando ainda trabalhava no exército de Hitler, ela encarregava os prisioneiros da tarefa de leitura. Durante todo o desenvolvimento do filme podemos perceber que Michael não revela em nenhum instante o segredo de Hanna, mesmo quando ela estava à beira da condenação. O filme termina com Michael levando sua filha ao túmulo dela. Ao meu ver, foi essa cena que resolveu a história.
Na sinopse do filme no imdb podemos encontrar a frase:
“Até onde você vai para proteger um segredo?” Nesse filme existem dois grandes segredos. O caso de Michael e Hanna, e o analfabetismo dela. Nesse ponto me permito levantar uma questão. Para que serve uma história? Desde que a humanidade começou a desenvolver a racionalidade deixamos indícios dessa necessidade inerente à nossa raça. Contar uma história é aprender e ensinar ao mesmo tempo. Histórias nos ensinam muito sobre a vida, amor e comportamento humano. Contar uma história é ter algo a ensinar, ter experiência a trocar e ter um tema sobre o que aprender. Se você coloca uma história em eterno segrego, nunca poderá aprender ou ensinar com ela. Por conta disso o segredo se torna uma cegueira voluntária aos outros pontos de vista.

Hanna pagou um preço alto pelo segredo e foi condenada a prisão perpétua. Por outro lado, compartilhar um segredo com alguém é conferir à essa pessoa muito crédito. Contar um segredo é fornecer informação livre de deturpações e opiniões alheias ao detentor do fato. Após o suicídio de Hanna, Michael percebe que já não deve mais ter segredos e leva sua filha ao cemitério para revelar sua história de vida. A relação de Michael com a filha é bem distante. Compartilhar esse segredo com ela é mais do que uma tentativa de reaproximação, é tentar ensinar mais sobre si. É para isso que servem as histórias.
Na minha opinião esse filme seria uma ótima justificativa para a máxima:
'conto histórias, logo existo'!'O Leitor' é uma história excelente adaptada em um filme com ótima direção e interpretações magníficas. Se você já assistiu a obra, haverá de concordar comigo.
Ficha Técnica:Data do lançamento: 06 de Fevereiro 2009 (Brasil) / 10 de Dezembro 2008 (EUA)
Roteiro: Bernhard Schlink (história original), David Hare (roteiro de cinema)
Direção: Stephen Daldry
Gênero: Drama, Romance
Duração: 124 minutos
Elenco: Ralph Fiennes (Michael), Kate Winslet (Hanna), David Kross (Michael na adolescência)
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