Domingo, 19 de Julho de 2009

Teatro: Ah! Se o Anacleto soubesse

Essa xícara de hoje é para a galera que curte teatro! E para os que não gostam também. Afinal de contas, os que não curtem o fazem provavelmente por dois motivos: Ou nunca tiveram interesse pelas artes cênicas, o que é lamentável, ou ostentam preconceitos infundados protegidos por reles desculpas esfarrapadas: “Não vou ao teatro porque é caro!”. Ah vá! Caro nada! Isso é chavão, frase pronta, desculpa padrão. Falo isso porque é sempre importante abrir a mente para coisaas novas e valorizar mais a produção cultural nacional.

Fiz esse preâmbulo para indicar uma peça que estará em cartaz dia 06 de Agosto, com direção de um grande amigo: “Ah, se o Anacleto soubesse”, dirigida por Paulo Cardoso e escrita por Paulo Orlando. É uma divertida comédia de uma hora de duração por apenas R$ 15,00. Estará em cartaz em única apresentação no Teatro Bibi Ferreira, lá na Brigadeiro Luis Antonio, 931, dia 06 de Agosto. Fica na Bela Vista, local super fácil de chegar.

O Paulo Cardoso é um experiente ator e diretor e já protagonizou algumas novelas globais. Ele também participou do curta que produzi no começo do ano passado, A morte do Toquinho. Pra quem conhece o vídeo, o Paulo é o jardineiro e durante a produção do curta deu preciosos conselhos para a direção de cena.

Não percam a peça dirigida por Paulo Cardoso. “Ah! Se o Anacleto soubesse” no Teatro Bibi Ferreira em única apresentação dia 06 de Agosto, quinta-feira.

Abaixo a sinopse e o flyer da peça.
Boa diversão!

Sinopse:
A peça “Ah se o Anacleto Soubesse” uma comédia de repertório, foi escrita em 1.931, depois adaptado para a década de sessenta e setenta, no auge do Circo-Teatro. A história prende a atenção do público pelo acúmulo de situações geradas pelo fato de a personagem Anacleto, homem submisso, que encontra em Tobias, seu melhor amigo, a oportunidade de dar suas “escapadas”, cair na farra num sábado, dia em que os “brotos” estão soltos. Anacleto, um velho excêntrico, chefe de família, torna-se capacho de uma esposa dominadora. Oprimido por essa situação busca uma fuga para a liberdade, principalmente quando ouve histórias de farras noturnas que seu amigo Tobias conta, levando-o a delirar de ansiedade. Uma trama é elaborada por Tobias, e Anacleto realiza seu grande sonho. Portanto o estopim da trama esta aceso, preste a estourar, quando, escondido Anacleto e Tobias ouve a conversa de sua esposa, que afirma querer ser casada com um homem audacioso, e dominador.

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Sábado, 18 de Julho de 2009

Filtro solar

Há algum tempo atrás eu havia recebido esse vídeo por e-mail e achei impressionante. Produzido com cenas retiradas dos bancos de imagem da agência de publicidade DM9DDB, o 'Filtro Solar' é um vídeo bem famoso que rodou bastante pela internet. A versão em português possui a narração do Pedro Bial, mas resolvi postar aqui o original em inglês e com legendas. Nada contra o Bial, enfim..

O texto é simplesmente ótimo e possui uma bela mensagem a respeito da vida e da felicidade. Não vou ficar com muito blá, blá, blá, pois o vídeo já fala tudo por si só. Boa degustação para vocês!


Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Um copo de cólera, Raduan Nassar

Cada vez que leio um livro procuro absorver alguma coisa dele além da história que está me contando. Como tenho um grande interesse por esse lance todo de literatura e de contar histórias, quanto mais referências eu tiver nessa área mais ferramentas poderei utilizar para desenvolver minhas narrativas. Não digo isso no sentido de que meu objetivo seja o de imitar estilos de autores consagrados, mas sim de aprender com seus acertos. O texto de Raduan Nassar me impressionou pela densidade que possui.

Cada palavra contida em ‘Um copo de cólera’ é sabiamente utilizada e posicionada no texto. A narrativa corrente, que dispensa os parágrafos e emprega um fluxo de idéias bastante intenso, nos remete imediatamente ao estilo de literatura de Saramago. Contudo os autores estão longe de serem iguais. Enquanto o escritor português avança nas suposições fantásticas, o paulista transforma atos simples em cenas repletas de detalhes e significados.

Usando o personagem principal como narrador até o penúltimo capítulo, temos a sensação de entrar na mente de um homem bastante inteligente e perturbado ao mesmo tempo. O livro relata a briga de um casal após uma noite de amor. A cena de sexo é rica em detalhes. Raduan soube descrever a relação sem precisar apelar para a facilidade de metáforas baratas ou palavras explícitas. Realmente interessante. Destaco aqui o trecho selecionado pelo editor para ocupar a contra capa do livro:

“... e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão a que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçadsos, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro.”

Essa obra se tornou filme em 1999, dirigido por Aluízio Abranches e estrelado por Alexandre Borges e Julia Lemmertz. Livro pequeno, instigante, denso e que tem muito a ensinar para quem pretende contar suas próprias histórias.

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Ensaio sobre a Lucidez, José Saramago

Lembro-me de que a primeira coisa que li de José Saramago foi um conto chamado ‘O conto da ilha desconhecida’. Procurei o material por influência do meu irmão, que estava terminando o ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’. Quando me deparei com o estilo de escrita de José achei aquilo muito estranho e só li até o final porque o conto era pequeno. Ainda bem que aquelas poucas páginas foram o suficiente para derrubar um preconceito infundado e me cativar.

Gosto muito do estilo de escrita do Saramago. A narrativa corrente com parágrafos gigantescos e pontuação anormal o retira detrás do púlpito no qual muitos autores procuram se proteger e o coloca ao lado do leitor, como se fosse um sábio avô que conta histórias para seus netinhos. Saramago não se apodera exclusivamente das propriedades semióticas da palavra escrita, sua literatura utiliza sabiamente uma fluência de idéias típicas dos textos falados.

O livro dele que acabo de ler se chama ‘Ensaio sobre a lucidez’. Não vou discorrer muito a respeito da história e seus pormenores. Me limito a dizer que nessa obra, Saramago questiona a eficiência do sistema democrático ao fazer com que os cidadãos de uma determinada capital se dirijam massivamente às urnas para votar em branco. Perplexo com o resultado, o governo anula as eleições e convoca novamente os eleitores às urnas e dessa vez eles repetem o feito de modo muito eficiente, reunindo mais de oitenta por cento de votos em branco.

O que vem a seguir é uma série de atitudes precipitadas e inconseqüentes daqueles que controlam o poder e 'representam' os interesses do povo. Nessa capital infectada por um surto de lucidez, Saramago cria algumas situações de conflito iminente, que nunca se concretizam por conta das atitudes sóbrias tomadas voluntariamente pelos utópicos cidadãos.

‘Ensaio sobre a lucidez’ flerta com outra obra do autor, ‘Ensaio sobre a cegueira’, que se tornou longa metragem dirigido por Fernando Meirelles em 2008. O sóbrio romance se passa na capital do país que foi infectado pelo enigmático surto de cegueira branca. Alguns personagens daquela primeira história se tornam decisivos nessa segunda e ajudam a construir o detalhado retrato que Saramago faz da atual democracia. Leitura extremamente recomendada!


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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Top 100 do TopBlog

Graças a vocês o Chá de Cuca está entre os 100 blogs mais votados no TopBlog, na categoria cultura. Portanto eu agradeço aos que votaram e aos que não votaram também, afinal a simples presença de vocês por aqui já me deixa feliz.

Mas se quiserem me deixar mais feliz ainda, (se é que eu mereço) continuem votando no Chá de Cuca na segunda fase do concurso. Conto com a colaboração de vocês!


Valeu galera!

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Território Vermelho - curta de Kiko Goifman

O mérito do documentário ‘Território Vermelho’, dirigido por Kiko Goifman, não está numa possível reinvenção dos modos de produção audiovisual, com objetivo de se aproximar ao máximo da realidade que pretende documentar. Também não reside numa abordagem alternativa sobre um tema corriqueiro. O grande triunfo do trabalho está no fato dele conseguir mostrar ao público algo que normalmente o próprio público se recusa a ver.

Com a proposta de entregar câmeras de vídeo àqueles que, teoricamente, não teriam condições de comprá-las, Goifman nos coloca dentro do território da hipocrisia de uma janela fechada, da surdez convenientemente fingida, de uma indiferença que deixou marcas e já não machuca mais como antes, do sinal vermelho ante uma realidade que insiste em existir.

No ‘Território Vermelho’ não faltam contrastes. O trabalhador excluído do mercado formal caminha entre os bens materiais daqueles que tem medo do que não conhecem. Na cidade onde cada minuto pode fazer a diferença no final do mês, as pessoas negam os poucos instantes de ócio que possuem aos que dependem dele para ganhar a vida. Os altos índices de violência se encarregam de manter as janelas e as mentes fechadas, acentuando os contrastes sociais.

O trabalho na informalidade traz consigo a dúvida e os mais conscientes não fomentam práticas desconhecidas. A procedência dos produtos vendidos ou utilizados na prestação de serviços aos motoristas é sempre duvidosa. Comprar o produto ou pagar pela mão de obra pode ser considerado um tipo de incentivo à continuidade de práticas muitas vezes ilícitas. Por outro lado, a população não se mostra tão presente ao cobrar políticas sociais eficientes daqueles que estão no poder.

O documentário de Kiko Goifman se torna um dos únicos gritos válidos de uma classe discriminada dirigido diretamente aos ouvidos da população inerte. ‘Território Vermelho’ possui a total atenção do espectador, que reservou um espaço de tempo maior para assistir aquilo que poderia testemunhar simplesmente abaixando o vidro do carro e deixando a indiferença hipócrita de lado.

Confira o curta "Território Vermelho" de Kiko Goifman.




Ficha Técnica:
Roteiro e Direção: Kiko Goifman
Produção: Claudia Priscilla
Fotografia e montagem: Diego Gozze
Trilha sonora: DJ Patroniq


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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Ah! Mas se perde para os Estados Unidos...

No último domingo nos tornamos, mais uma vez, campeões da Copa da Confederações. Mostramos todo o nosso valor, mas para isso precisamos levar um belo susto no começo do jogo. Eu fico imaginando o que o Dunga deve ter falado para o time durante o intervalo, afinal de contas o Brasil jogou demais no segundo tempo. Sem querer tirar o mérito dos americanos, que fizeram um belíssimo gol de contra ataque, a impressão que eu tinha era a de que o time deles estava contando os segundos pra acabar o jogo. Estavam desesperados e perdidos. Pareciam soldados americanos na guerra do vietnam!

Mas voltando ao lance do discurso no intervalo do jogo, existem diversos motivos para a seleção brasileira não perder para uma seleção de futebol dos Estados Unidos, ainda mais numa final de campeonato. Vou enumerar as razões que me vieram à mente. Conto com a colaboração de vocês para completar a lista:

1 - O futebol não é esporte tradicional lá
2 - O futebol é esporte tradicional aqui
3 - Eles ganham em todos os outros esportes
4 - Eles são os maiores emissores de poluentes do planeta
5 - Ainda somos país de terceiro mundo e essa é uma das poucas oportunidades que temos de pisar num imperialista.
6 - Nós propagamos a beleza do futebol arte
7 - Somos pentacampeões do mundo (e se depender do Lúcio, seremos Hexa!)
8 - Eles passam por forte crise econômica
9 - Nós somos emergentes
10 - Temos atletas competindo em diversos países do mundo
11 - Eles possuem soldados em diversos países do mundo.
12 - Sim, nós podemos!
13 - ....

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Rei do Pop e escravo do talento

Muito se fala e muito já se falou a respeito de Michael Jackson. Eu não tenho nada de muito importante para falar sobre ele a não ser o fato de que quando eu era mais novo odiava suas músicas por causa de um vizinho ‘mala’. O cabra ouvia os discos no volume máximo e ainda dava os gritinhos.

Mas como eu sou muito mais do que apenas ‘mala’ fazia questão de ligar meu som, potente o suficiente para tremer a porta da sala, com o melhor do hardcore. Pennywise, Bad Religion, Millencolin e Primus despejavam powercordes pra cima do Rei do Pop. E graças aos milhares de watts do meu Pionner, eu sempre ganhava a briga, obrigando o vizinho a guardar seus gritinhos para uma outra hora.

Por causa desse preconceito, e do vizinho mala, demorei para reconhecer o grande talento que esse cara tinha para a música e para a dança. Com a morte de Michael Jackson ontem, tenho dois sentimentos muito definidos a respeito dele: enorme respeito pela obra que ele produziu e muita pena da vida que ele levou.

Mas como pena não leva ninguém a lugar nenhum, eu apenas espero que ele seja mais feliz do que foi aqui.

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Domingo, 21 de Junho de 2009

Pianíssimo

Durante os últimos dias estive a vasculhar a rede em busca de materiais sobre teoria musical. Descobri que é difícil encontrar coisas boas, mas por outro lado 'topei' com duas bem bacanas.

A primeira é um vídeo do pianista Horowitz tocando a famosa Polonaise, de Chopin. Sempre gostei dessa música e esse vídeo foi a primeira performance dela que eu vi. Cansa só de assistir o cabra tocar.

A segunda coisa bacana foi ter descoberto um outro pianista chamado George Winston. Ele gravou vários sucessos do grupo The Doors em versão para piano solo. Achei simplesmente demais. Não tenho o link do álbum aqui, mas uma busca rápida no google com as palavras 'George Winston Doors Rapidshare' pode te levar direto ao assunto.

Domingo, 14 de Junho de 2009

O Leitor - Contar histórias é preciso

Essa xícara vem para matar a sede daqueles que adoram a sétima arte. Já faz algum tempo desde o último post sobre cinema portanto está mais do que na hora de darmos continuidade ao assunto. Resolvi escrever a respeito de um filme que acabo de assistir. 'O Leitor' é mais um longa metragem que tem seu enredo extraído de um livro. Desta vez o autor da obra é um professor de direito e juiz alemão chamado Bernhard Schlink. Com primeira edição publicada em 1995, 'O leitor' foi um livro muito bem recebido pela crítica e ganhou diversos prêmios no mundo da literatura. Segundo a wikipédia americana, o livro de Schlink é a obra literária alemã mais traduzida em todo o mundo. Já foram 37 línguas desde a primeira edição.

A versão cinematográfica foi lançada em 2008 com direção de Sthepehn Daldry, o mesmo do premiado 'As horas'. O ótimo enredo criado por Schlink aliado à belíssima direção de Sthepen fazem de 'O leitor' um filme digno das indicações que recebeu ao Oscar. Já Kate Winslet foi magnífica em sua atuação e levou uma estatueta para casa.

Pela quantidade de adjetivos no parágrafo anterior e das indicações e prêmios que recebeu, pode-se dizer que 'O leitor' é um filme e tanto! Com ritmo muito bem trabalhado, fato que afastou a monotonia das cenas de tribunal, o longa metragem conta a história do jovem estudante Michael Berg, que aos 15 anos de idade passa mal ao voltar da escola e é socorrido por Hanna (Kate Winslet). Depois de três meses em tratamento, Michael cura-se da doença e resolve voltar à casa da nobre madame para agradecê-la. A partir daí Hanna e Michael vivem um romance que, apesar da brevidade, deixou marcas definitivas no coração de ambos.

O que mais me chamou a atenção no filme foi o desfecho. Não é surpreendente, mas é bem significativo. Hanna passou a vida a esconder seu analfabetismo. Para essa alemã ex-operária do holocausto, a maior vergonha de sua vida é não saber ler e escrever. A história nos dá diversas pistas desse comportamento desde o início do romance de Michael e Hanna, mas só podemos ter certeza disso ao testemunharmos perplexos a atitude que ela adota quando de fronte à um bloco de papel e uma caneta. Hanna trabalhava como soldado nos campos de concentração. Em seu julgamento alguns relatórios das forças nazistas são apresentados como provas dos homicídios praticados durante o holocausto. No fervor das acusações, o juiz pede para que Hanna escreva alguma coisa no bloco a fim de fornecer material ao especialista encarregado de averiguar a igualdade na forma das letras dos relatórios com as anotações produzidas no referido bloco de papel. O peso da vergonha representada pelo analfabetismo se mostra muito maior do que o trabalho como soldado nazista. Hanna confessa o crime sem produzir a prova solicitada pelo juiz e é condenada a prisão perpétua.

Apesar de não saber ler Hanna adora histórias. Michael lia diversos livros depois das tardes de amor ardente. Quando ainda trabalhava no exército de Hitler, ela encarregava os prisioneiros da tarefa de leitura. Durante todo o desenvolvimento do filme podemos perceber que Michael não revela em nenhum instante o segredo de Hanna, mesmo quando ela estava à beira da condenação. O filme termina com Michael levando sua filha ao túmulo dela. Ao meu ver, foi essa cena que resolveu a história.

Na sinopse do filme no imdb podemos encontrar a frase: “Até onde você vai para proteger um segredo?” Nesse filme existem dois grandes segredos. O caso de Michael e Hanna, e o analfabetismo dela. Nesse ponto me permito levantar uma questão. Para que serve uma história? Desde que a humanidade começou a desenvolver a racionalidade deixamos indícios dessa necessidade inerente à nossa raça. Contar uma história é aprender e ensinar ao mesmo tempo. Histórias nos ensinam muito sobre a vida, amor e comportamento humano. Contar uma história é ter algo a ensinar, ter experiência a trocar e ter um tema sobre o que aprender. Se você coloca uma história em eterno segrego, nunca poderá aprender ou ensinar com ela. Por conta disso o segredo se torna uma cegueira voluntária aos outros pontos de vista.

Hanna pagou um preço alto pelo segredo e foi condenada a prisão perpétua. Por outro lado, compartilhar um segredo com alguém é conferir à essa pessoa muito crédito. Contar um segredo é fornecer informação livre de deturpações e opiniões alheias ao detentor do fato. Após o suicídio de Hanna, Michael percebe que já não deve mais ter segredos e leva sua filha ao cemitério para revelar sua história de vida. A relação de Michael com a filha é bem distante. Compartilhar esse segredo com ela é mais do que uma tentativa de reaproximação, é tentar ensinar mais sobre si. É para isso que servem as histórias.

Na minha opinião esse filme seria uma ótima justificativa para a máxima: 'conto histórias, logo existo'!

'O Leitor' é uma história excelente adaptada em um filme com ótima direção e interpretações magníficas. Se você já assistiu a obra, haverá de concordar comigo.

Ficha Técnica:
Data do lançamento: 06 de Fevereiro 2009 (Brasil) / 10 de Dezembro 2008 (EUA)
Roteiro: Bernhard Schlink (história original), David Hare (roteiro de cinema)
Direção: Stephen Daldry
Gênero: Drama, Romance
Duração: 124 minutos
Elenco: Ralph Fiennes (Michael), Kate Winslet (Hanna), David Kross (Michael na adolescência)


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